O município de Araguaiana, no leste mato-grossense, vive um momento de reconexão com suas origens. Por meio do projeto “Memórias de Araguaiana”, criado no Instagram pelo professor universitário e atual secretário municipal de Cultura, Wcleverson Batista, a história e os elementos culturais da cidade estão sendo resgatados de forma lúdica e acessível, principalmente para as novas gerações.
A página, que já reúne cerca de mil seguidores, antecipa o lançamento do livro homônimo, previsto para novembro de 2026. Segundo o autor, a obra será publicada em dois volumes e trará uma ampla documentação da trajetória de Araguaiana desde seus primeiros registros como povoado até a criação do município.
“Por meio de fotografias antigas, a página promove o resgate histórico desde os primeiros registros do povoado até a criação do município”, explica Wcleverson.
Ao navegar pelo perfil Memórias de Araguaiana, é possível acessar um verdadeiro acervo digital que abrange aspectos políticos, culturais, sociais e econômicos da cidade. O conteúdo retrata momentos marcantes da história local, com fidelidade e sensibilidade, prestando homenagem a pessoas, instituições e acontecimentos que moldaram a identidade do município.
Entre os destaques, estão registros de times de futebol históricos, impulsionados por figuras como Agrícola Pedroso e Agnaldo Ferlete, que foram protagonistas do esporte local. Também há espaço para o comércio, como a primeira farmácia da cidade, fundada nos anos 1970 por Sandra e Antonio Câmara.
Eventos marcantes também ganham destaque, como o Dia do Evangélico, feriado municipal comemorado em maio desde 2009, além de registros escolares, como fotos de formaturas da Escola Estadual Coronel Jerônimo Gomes, no fim dos anos 1980, e de desfiles cívicos do Colégio Dom Bosco, referência em educação na região.
Outro ponto alto do projeto é a valorização da história das famílias que participaram da fundação e desenvolvimento de Araguaiana. Um exemplo é a Família Morbeck, que chegou à cidade, vindo de Maracás, na Bahia, em 1914. José Morbeck, patriarca do clã, acumulou papéis fundamentais na formação institucional do município, atuando como intendente, prefeito, delegado, juiz e promotor. Sua esposa, Arlinda Pessoa Morbeck, também deixou seu legado como poetisa e figura influente na vida cultural local.
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A direita, o professor Wcleverson Batista em entrevista ao Semana7
Professor Wcleverson Batista (à direita) concede entrevista ao portal Semana7
A página também se dedica à história religiosa da cidade, com registros sobre a vida missionária, a criação da Prelazia do Registro do Araguaia e até relatos históricos que remontam a 1748, com a travessia no porto da vila, rota estratégica durante o rota do ouro, no século XVIII.
A proposta de Wcleverson Batista vai além do registro histórico: ele busca criar um canal de diálogo entre o passado e o presente, permitindo que jovens e adultos compreendam a importância de preservar a memória coletiva de Araguaiana.
“Nosso objetivo é fazer com que as pessoas se reconheçam nessa história e sintam orgulho de suas raízes”, conclui.
Com uma linguagem acessível e o poder das redes sociais, Memórias de Araguaiana já se consolida como uma importante ferramenta de valorização da identidade local, um verdadeiro elo entre o passado e o futuro do município.
Em tempo, os esforços do professor Wcleverson Batista à frente da Secretaria Municipal de Cultura da administração do também professor José Marra poderiam muito bem servir de exemplo a outros de titulares de pastas que levam o nome ‘Cultura’ e, com isso, resgatar, tornar pública a história de seus municípios.
HISTÓRICO
Localizado no leste de Mato Grosso, às margens do Rio Araguaia, a cidade de Araguaiana encanta por sua tranquilidade, paisagens naturais e forte identidade cultural. Com uma população de aproximadamente 3.800 habitantes, Araguaiana é um dos menores municípios do estado em termos demográficos, com baixa densidade populacional e economia fortemente ligada ao setor agropecuário.
A história da cidade remonta a 1913, quando foi originalmente criada como município com o nome de Registro do Araguaia. Em 1932, passou a se chamar Araguaiana, mas perdeu sua autonomia em 1948, tornando-se distrito de Barra do Garças. Somente em 1986 voltou a ser um município independente, embora com um território reduzido. Apesar desse caminho marcado por idas e vindas administrativas, Araguaiana consolidou-se como uma comunidade que valoriza suas raízes e tradições.
A economia local gira em torno da agropecuária, que representa quase 60% do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, seguida pela administração pública e o setor de serviços. Embora o PIB per capita esteja abaixo da média estadual, o município vem registrando crescimento econômico contínuo, além de manter um saldo positivo na geração de empregos formais.
No campo do turismo, Araguaiana é um verdadeiro refúgio natural. O Rio Araguaia é o grande protagonista da região, oferecendo praias de água doce, pesca esportiva, passeios de barco e outras atividades ao ar livre, como trilhas e esportes aquáticos. A cidade também é conhecida por sua rica gastronomia regional, com pratos típicos à base de peixe, churrasco e ingredientes como o pequi, além de festas tradicionais como a do Divino Espírito Santo. Museus, feira e manifestações culturais completam o cenário de uma cidade que, embora pequena, é vibrante em identidade.
Com clima propício ao turismo entre maio e setembro, Araguaiana se destaca como um destino ideal para quem busca contato com a natureza, tranquilidade e uma experiência genuinamente mato-grossense.
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